Na tarde desta quinta-feira (24), o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, movimentou os bastidores políticos ao surgir em um espaço de destaque na programação da Record TV emissora controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus e tradicionalmente alinhada ao partido Republicanos.
A presença do petista em um canal historicamente associado à ala evangélica conservadora levantou dúvidas que, para muitos, não soam mais como mera coincidência. Em um cenário onde cada gesto é calculado com lupa, a aproximação entre Quaquá e os braços midiáticos da Universal reacende especulações sobre articulações para 2026.
Seria o início de um pacto improvável entre a esquerda petista e a direita gospel? A movimentação ganha contornos ainda mais estratégicos quando se observa a recente reestruturação do comando do Republicanos no Rio de Janeiro.
Após forte pressão interna da cúpula da Igreja Universal, o deputado federal e bispo Luís Carlos Gomes reassumiu a presidência estadual do partido, substituindo o ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho. Luís Carlos não é apenas mais um quadro político: é o elo direto entre o Republicanos e o núcleo duro da Universal, com trânsito livre entre os interesses espirituais e os acordos de bastidor. Coincidência ou não, essa reconfiguração ocorre justamente quando Quaquá começa a dar sinais de que pretende costurar alianças fora do eixo tradicional da esquerda, mirando em um projeto estadual mais robusto.
O nome de Fabiano Horta, ex-prefeito de Maricá e aliado íntimo de Quaquá, começa a circular com mais força como possível pré-candidato ao governo do Rio e, convenhamos, qualquer projeto majoritário em solo fluminense passa, inevitavelmente, pela força eleitoral do eleitorado evangélico. Em Maricá, onde tudo parece se manter em suspenso, a movimentação do xadrez político não é menos curiosa.
O Republicanos, que oficialmente não faz parte da gestão municipal, já abrigou nomes e quadros oriundos do próprio PT com a “benção” informal de Quaquá.Entre eles, destaca-se o nome do jovem Pastor Renan Mendonça ex-integrante dos governos de Quaquá, hoje com sólida ligação com o bispo Luís Carlos Gomes e com prestígio crescente entre os evangélicos de Maricá. Um interlocutor discreto, porém estratégico.

Ainda que oficialmente não haja confirmação de nenhuma aliança, os sinais começam a se alinhar. E, como se sabe, no jogo político nem sempre é o que se diz mas onde se pisa e com quem se senta que revela os próximos movimentos.
A imagem de Quaquá nos estúdios da Record pode ser só o começo de uma aliança que une fé, poder e ambição.
Enquanto os holofotes se voltam para Brasília, é em Maricá que a engrenagem parece estar sendo lubrificada.
E quem conhece o estilo do petista sabe: quando ele aparece sorrindo num território inimigo, ou já fez o acordo… ou está muito perto de fazê-lo.





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